Artigos › 13/09/2021

Apesar de tudo, dizer sim à vida!

 

Caro leitor, estamos no mês de setembro, e provavelmente você já tenha escutado a expressão Setembro Amarelo. Assim como em outros meses de nosso calendário, em que realizam-se campanhas de conscientização sobre um tema especifico relacionado a uma cor, por exemplo, Outubro Rosa, sobre o câncer de mama, Novembro Azul, sobre o câncer de próstata, entre outros, a campanha do Setembro Amarelo tem por objetivo a prevenção do suicídio.

 

Dados oficiais revelam que os números de casos de suicídio no Brasil e no mundo são alarmantes. De acordo com a OMS cerca de 12 mil suicídios ocorrem todos os anos no Brasil e mais de um milhão no mundo. Estes números mostram uma triste realidade, apesar disso, evidenciam a importância da campanha do Setembro Amarelo, trazendo visibilidade para o tema e conscientizando a população para a prevenção de suicídios.

Observa-se que o suicídio está presente entre adultos e jovens, homens e mulheres, pobres e ricos, no entanto, constata-se que cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, como depressão, transtorno de bipolaridade e uso de drogas.

Atualmente, com a pandemia, ocorreu um aumento no número de pessoas psicológica e emocionalmente afetadas. Já foi apurado, em pesquisas, um aumento na sensação de impotência, tédio, solidão, estresse, tristeza, ansiedade, pânico, medos, levando a alterações de sono e apetite, consumo de álcool excessivo, conflitos familiares etc. na população.

É preciso estarmos atentos a esses sintomas, a fim de evitar que eles evoluam para um diagnóstico de depressão, ansiedade, e outros transtornos que podem, inclusive, levar à tentativa de suicídio. Percebendo a presença desses sintomas e que eles estão prejudicando diferentes áreas de sua vida (trabalho, estudo, família, relacionamentos) é preciso buscar ajuda psicológica.

A campanha do Setembro Amarelo pode ajudar-nos não só na prevenção do suicídio, mas também a refletir sobre como está a nossa saúde mental de forma geral.

Neste sentido, gostaria de esclarecer que a tentativa de suicídio não pode ser interpretada como um ato de “frescura”, nem falta de Deus, nem uma escolha, mas sim um sintoma. Sintoma esse que nos alerta para algo que não está bem, um sofrimento que se materializou em uma ação contra si mesmo e que precisa ser acolhido sem julgamento, com compreensão, cuidado e encaminhamento para o tratamento adequado (psicológico e psiquiátrico).

Por isso, buscar ou oferecer ajuda não deve ser motivo de vergonha ou de fraqueza, mas uma solução, pois existe tratamento, existe uma saída, existe esperança! “Enquanto há vida, há esperança!” (Ecl. 9,4). A vida nunca perde a beleza e o sentido, se hoje você não está encontrando, é porque não está olhando para ele, ou está se direcionando para o lado contrário, mas isso não significa que ele deixou de existir.

Em resumo, a vida sempre deve ser cuidada, física, espiritual e psicologicamente. O Setembro Amarelo evidencia um aspecto de essencial importância em nossos dias, a prevenção ao suicídio e o cuidado com a saúde mental. Portanto, não menospreze a dor e o sofrimento do outro, ao contrário, acolha, escute, dê espaço ao sofrimento e ofereça apoio, sendo sinal de esperança e amor para aqueles que sofrem.

A autora, Geovanna Betti Cavaletti, colaboradora desta Revista, é Psicóloga Clínica em Porto Alegre (RS) | CRP 07/3364.

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Texto publicado na edição de setembro de 2021. 

 

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