Artigos › 08/10/2021

A reconstrução da imagem de Nossa Senhora Aparecida após ter sido quebrada em pedaços

Autor: Arquivo Pessoal de Maria Helena ChartuniA imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por pescadores no rio Paraíba, no interior de São Paulo, e é considerada símbolo da fé católica no país. Mas poucos sabem que essa imagem sofreu um atentado e foi quebrada em mais de 200 pedaços. O atentado aconteceu em 16 de maio de 1978, na Basílica Velha em Aparecida do Norte (SP). Os fiéis que participavam da missa das 20h não imaginavam que estavam prestes a vivenciar uma “tragédia religiosa”.

Durante a missa, um jovem aparentemente transtornado, avançou em direção à imagem de Aparecida próxima ao altar. Ele saltou até o cofre de vidro onde estava a imagem e na terceira tentativa, quebrou o vidro e retirou a imagem. Correu até a rua e apesar de ser alcançado por um guarda, conseguiu lançar a imagem ao chão. A imagem se quebrou em pedaços. O suspeito foi detido e tratado como doente mental.

Essa história foi registrada em diários de padres e na memória dos fiéis da cidade. Também o jornalista Rodrigo Alvarez a escreveu no seu livro intitulado: “Aparecida: a biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil”.

No tocante ao episódio da imagem quebrada, Rodrigo Alvarez, conta que ela foi reconstruída. “Nem dá para chamar de restauração, foi uma reconstrução. Nossa Senhora teve que ser refeita. Ela não tinha pequenos defeitos, problemas de pintura ou um nariz quebrado. Ela não existia mais”.

Reconstrução da imagem

Depois da imagem ser quebrada, a Igreja pensou que o restauro pudesse ser realizado no Vaticano, mas o trabalho acabou sendo realizado no Brasil pela escultora, pintora, restauradora, desenhista e ilustradora brasileira, Maria Helena Chartuni, hoje com 78 anos, que na época trabalhava no Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Ela estava toda quebrada em uma caixinha. O que eu senti na hora não foi nada agradável, foi uma espécie de pânico. Pensei: o que eu vou fazer agora? Aí, falei a ela: a senhora me colocou em um problemão e precisa me ajudar a sair dele”.

O processo de restauração foi cauteloso e para ter maior velocidade, Maria Helena empregou uma cola especial, com fixação mais rápida. Em 33 dias interruptos de trabalho a imagem foi reconstruída. E aquelas partes que, literalmente, faltaram, como, por exemplo, detalhes da cabeça, foram reconstituídas e coincididas às demais partes.

Após o trabalho concluído, a imagem de Nossa Senhora voltou à cidade de Aparecida em um cortejo do Corpo de Bombeiros, em 19 agosto de 1978. Na ocasião, milhares de fiéis acompanharam o trajeto pela Rodovia Presidente Dutra. “Foi um verdadeiro corredor humano até Aparecida. Foi a coisa mais emocionante que eu vi. Não foi marketing, foi uma explosão de fé verdadeira. Com toda emoção que houve, começou a cair minha ficha e tive o sentimento de dever cumprido. Certamente restaurou minha fé, e abençoou muito meu trabalho. Foi a restauração mais importante que fiz na vida”, afirmou Maria Helena.

Restauração da fé

Atualmente, há 43 anos do ocorrido e três séculos após ser encontrada no rio Paraíba, a imagem da Padroeira do Brasil segue exposta no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte. A imagem que se dividiu em centenas de pedaços voltou a ser uma só, bem como a fé de milhares de fiéis que tiveram suas vidas espiritual restauradas e unidas a Jesus Cristo, através da intercessão da Imaculada Conceição de Aparecida. E como testemunho pessoal, compartilho que minha fé, vocação e missão foram restauradas durante as comemorações dos 300 Anos de Aparecida, especificamente quando tomei contato pela primeira vez com essa história da restauração da imagem.

Estava numa fase bem difícil de minha vida e num determinado momento do dia, trocando de canais na TV, me deparei com uma entrevista da artista plástica Maria Helena, que contava sobre o atentado contra a imagem e o processo de restauração. Assim, também, no ano de 2017, a minha vocação e missão começou a ser restaurada.

Por Padre Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista

 Foto: Arquivo Pessoal de Maria Helena Chartuni 

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