Artigos › 10/08/2018

Queria ser pastor, hoje quero ser padre

Por Pe. Judinei Vanzeto

Neste mês dedicado às vocações, compartilho uma intrigante experiência do jovem André Felipe Belmirio, 22 anos, natural de Rio Brilhante (MS), seminarista palotino, que atualmente reside no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria (RS).

André nasceu prematuro após uma gravidez complicada. “Nasci aos sete meses de gestação. Quando o médico fez ultrassom constatou que não havia batidas cardíacas. Por isso, foi feita uma cirurgia às pressas para retirar o feto. Como não havia aparatos médicos em Nova Alvorada do Sul (MS), minha mãe foi transferida para Rio Brilhante, onde nasci no dia 02 de junho de 1995”.

A mãe, dona Cleci Belmirio, de vertente luterana, após se casar com Adroildo da Silva Belmirio, percebeu que o esposo tinha problema com alcoolismo. Devido à situação de saúde do esposo, procurava auxílio em diferentes igrejas protestantes e neopentecostais. Quando participavam da Igreja Assembleia de Deus, em Nova Alvorada do Sul, essa vivência deu certo em relação à saúde do pai, pelo menos por um determinado período, já que os pastores iam a sua casa. Foi neste berço evangélico que ele viveu a primeira infância.

Ainda quando era pequeno, o pai teve que trabalhar no Estado do Mato Grosso e, longe da família, novamente recaiu no alcoolismo. “Com isso minha mãe passou a participar de uma nova igreja que estava surgindo em Rio Brilhante, a Universal do Reino de Deus. Essa foi a que tive mais afeto e carinho. Minha mãe se tornou obreira e trouxe a igreja para Nova Alvorada do Sul. Levado por ela, fui para diversas missões e encontros na capital, para ouvir a pregação do fundador. Com isso, brotou em mim o desejo de ser pastor. Na época, eu tinha entre seis a sete anos. Nesse período, veio para Nova Alvorada do Sul o pastor Jair, 23 anos, que ficou muito próximo de minha família. No dia em que ele foi transferido, no culto de despedida, orou pedindo a Deus que desse novos pastores para a Igreja local. Ao concluir o culto, me chamou lá na frente, tirou a gravata e colocou na minha mão dizendo: ‘ainda vou te ver pastor, pregador sobre o Senhor’. Também trouxe presente as passagens do livro do profeta Isaías sobre a ‘escolha desde o ventre materno’. Entendi nessa mensagem como uma profecia para a minha vida”.

Após a transferência do pastor, minha família passou a participar da igreja Testemunho de Jeová, onde adquiriu grande conhecimento da Palavra de Deus. “Nesse tempo, o meu pai teve outra recaída no alcoolismo e minha mãe desistiu de ir às igrejas. Quando eu tinha uns dez anos, uma vizinha convidou-me para participar de uma celebração. Fui acompanhar o filho dela que estava participando da catequese. Mas não gostei da missa. Durante a semana, novamente me convidou para participar de um encontro de oração na Igreja Católica, foi quando conheci a Renovação Carismática Católica (RCC), com toda a sua dinâmica do Espírito Santo, avivamento e alegria. No segundo encontro que participei, eles me convidaram para ajudar nos cantos, pois era o que mais gostava de fazer na igreja. No dia 23 de junho de 2005, participei de um retiro de primeira experiência. Já tinha ido a tantos, mas foi neste retiro que houve uma experiência peculiar com o Espírito Santo na minha vida. Depois de um tempo, minha mãe também veio para a RCC e fez essa mesma experiência com o Espírito Santo. Além dele, a presença de Nossa Senhora é que nos marca até hoje. Descobrimos a Mãe. Ela sustenta a nossa fé. Minha mãe hoje é a coordenadora do grupo de oração da paróquia”.

No ano de 2008, o pai do André desistiu da vida, vítima da depressão e do alcoolismo. “O que nos deu subsídios para permanecermos numa fé tranquila e acreditando no perdão e na misericórdia foi Maria. Essa presença materna que afaga e cuida manteve nossa família em pé”.

O desejo de ser pregador continuava vivo no coração de André, e os membros da RCC o conduziram ao padre palotino José Carlos Stefanello (in memoriam). “Ele me ensinou a tocar violão e foi meu primeiro catequista. Como eu era muito grande para estar na catequese normal me levava junto de carro nas missas nas comunidades do interior. No trajeto, recebia dele as explicações necessárias para entender melhor a fé cristã católica. Após este processo catequético, fui batizado no dia 18 de outubro de 2007, com doze anos. Manifestei meu desejo de ser padre e recebi instrução sobre o caminho que deveria seguir. Ele me ampliou o leque das tantas comunidades religiosas existentes na Igreja. Também me deu livros sobre São Vicente Pallotti e Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos. Escolhi ser palotino e há oito anos estou no processo formativo. Fiz minha primeira consagração religiosa no dia 25 de março de 2018 e estou feliz, pois se antes queria ser pastor, hoje quero ser padre!”

 

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