Notícias › 02/11/2019

A ESPIRITUALIDADE PALOTINA E A MISSÃO DO LEIGO

 

Pelo que estou vendo e ouvindo, cresce o número de leigos que se interessam pela via palotina de seguimento de Jesus Cristo. Por outro lado, nos damos conta do desejo de muitos leigos em compartilhar plenamente, de maneira nova, as riquezas da espiritualidade que herdamos de São Vicente Pallotti, convictos da sua importância para a missão evangelizadora da Igreja.

O Concílio Vaticano II reconheceu e aprofundou a importância de sua presença na comunidade cristã. Todos são responsáveis pela edificação da Igreja e pelo anúncio do Evangelho aos povos. Sem dúvida, o Espírito do Senhor tem movido a Igreja a descobrir, nos sinais dos tempos, este papel essencial dos leigos na comunidade cristã. De fato, é evidente a crescente presença e atuação dos leigos em todos os setores da vida eclesial. O empenho apostólico da Igreja, seja nas paróquias, instituições educativas e obras sociais, seja nos movimentos apostólicos e nas diferentes formas de levar o fermento evangélico à cultura e sociedade contemporânea, recai, em grande parte, sobre pessoas leigas. Por isso, uma Igreja que olha para o futuro terá sempre diante dos olhos e em seu coração a vocação e a missão do leigo cristão, tanto no âmbito interno como na transformação evangélica da sociedade.

Esta nova situação exige, em primeiro lugar, de nós, padres e irmãos palotinos, uma nova atitude. Precisamos fortalecer a vida cristã dos leigos para que eles ocupem plenamente o seu lugar na Igreja. Nossa prioridade, para o presente e o futuro, será a de formar adequadamente os leigos na fé e no compromisso cristão, sobretudo aqueles que desejam algo mais em termo de aprofundamento espiritual e empenho apostólico. Esta tarefa de formação de agentes multiplicadores da mensagem cristã requer de nós uma preparação ainda mais séria, uma qualidade de vida humana e espiritual ainda mais elevada. Ela é, assim mesmo, exigente enquanto nos leva a renunciar a certos projetos nossos, favorecendo o devido espaço para a ação e a corresponsabilidade de todos na Igreja.

 

De muitos modos, podemos ajudar na formação dos cristãos que desejam cumprir fielmente sua missão de testemunhas da fé na Igreja e no mundo de hoje. Mas, antes de tudo, é preciso ajudá-los a aprofundar sua experiência de Deus, sem a qual todos os conhecimentos teológicos e técnicas pastorais carecem de sentido e de eficácia apostólica. Para esta tarefa fundamental, nós dispomos de um instrumento de incomparável valor: a espiritualidade palotina. E aqui somos convidados a compartilhar, generosamente, as riquezas de nossa espiritualidade.

Tenhamos presente que São Vicente Pallotti tem um forte sentido do absoluto de Deus. Só Deus é o ser e o amor absoluto que merece uma adesão incondicional e total. Tudo o mais fica relativizado diante desta precedência absoluta do Deus que é amor. Esta experiência alimenta em nós uma grande liberdade em relação a todas as coisas. Esta liberdade nos dispõe a aderirmos absolutamente à vontade de Deus, a escolher e a assumir, incondicionalmente, o que mais promove o amor. Não se trata de deixar ou conservar algo segundo o nosso gosto ou qualquer outro critério que não seja o amor de Deus. Esta liberdade é particularmente importante quando se trata da gestação de um mundo novo.

É preciso saber se desprender de tudo o que é relativo e, tendo em mira só a Deus e a seu amor absoluto, verificar o que convém abraçar ou abandonar.

 

Em nosso tempo, não é fácil manter, com perseverança, uma atitude radicalmente evangélica no seguimento do Senhor, sem o apoio de outros que partilham a mesma fé e o mesmo espírito. Por isso, a nossa participação nos grupos da União do Apostolado Católico (UAC) é muito importante para reforçar a cada um de nós a nossa postura cristã e a vivência do carisma que herdamos de São Vicente Pallotti. Que bom se conseguirmos formar mais comunidades de vida entre nós, membros da Família Palotina, onde possamos partilhar as alegrias, as dificuldades, fortalecermos a esperança, a amizade, o serviço. Não esquecendo que, para isso, cada um deve procurar renovar sua intimidade com Deus e seu compromisso apostólico.

Todavia, animados pela espiritualidade palotina, não podemos perder de vista nossa profunda união à Igreja e a sua missão. Não somos um grupo fechado ou à parte. Como o Pai enviou o Filho para libertar e salvar o mundo, Cristo nos envia como Igreja e, através dela, aos nossos irmãos e irmãs no mundo de hoje.

Que Maria, a Rainha dos Apóstolos, aquela que soube colaborar na missão redentora de seu Filho, nos inspire com sua fé, sua disponibilidade e seu amor a dedicarmos nossas vidas, com renovado

ardor, como discípulos e missionários do Senhor, assim como o foi, no seu tempo e do seu modo, São Vicente Pallotti.

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